Descobertos os Primeiros Traços de Água no Sistema TRAPPIST-1

    Após toda a empolgação da comunidade científica e público em geral com a descoberta do Sistema TRAPPIST-1 e seus sete planetas, o assunto volta à tona reforçando a pergunta: é possível a existência de vida fora da Terra?

     A vida na Terra só é possível graças à um principal fato: vivemos em uma região chamada de Zona Habitável, local esse que a distância do Planeta para a Estrela é tal que permite que a água permaneça em estado líquido. No sistema de TRAPPIST-1, temos três dos sete planetas dentro dessa Zona Habitável (ZH) sendo o TRAPPIST-1e, TRAPPIST-1f e TRAPPIST-1g, esses com tamanhos aproximados com a Terra e orbitando uma Estrela Anã Ultrafria. 

Comparação do tamanho dos Planetas de TRAPPIS-1. Imagem de NASA/R. Hurt/T. Pyle
     Mas um estudo recente realizado por uma equipe internacional de astrônomos sugere a existência de água nos planetas mais externos do sistema, incluindo os que estão na ZH. Para a coleta de dados, a equipe liderada pelo astrônomo Suíço Vicent Bourrier da Universidade de Genébra utilizou o STIS - um espectrógrafo instalado no Telescópio Espacial Hubble. Eles analisaram a quantidade de radiação ultravioleta recebida individualmente em cada planeta desse sistema. Essa medição é importante pois o ultravioleta de baixa energia quebra as moléculas de água na atmosfera em átomos de Hidrogênio e Oxigênio - um processo chamado de fotodissociação. Já a radiação ultravioleta de alta energia e os raios-x aquecem a atmosfera superior, permitindo que o Hidrogênio e Oxigênio produzidos na fotodissociação escapem para o espaço. 

     Por ser mais leve, o Hidrogênio pode escapar mais facilmente da atmosfera, agindo como um possível indicador de vapor de água ao ser detectado por meio de espectroscopia com o Hubble. Por estarem mais próximos da Estrela Anã, os planetas mais internos recebem muito mais radiação Ultravioleta, portanto perdido uma grande quantidade de água por dissociação.
     Os planetas que estão na Zona Habitável também recebem uma certa quantidade, porém menor, de radiação ultravioleta. Sendo assim, espera-se que percam menos água por dissociação. Considerando a perca de até 20 quantidades terrestres de água para os planetas mais internos de TRAPPIST-1 durante os últimos 8 bilhões de anos, os planetas mais internos devem ter perdido apenas 20 quantidades terrestres de água nesse mesmo período. Sendo assim, a probabilidade da existência de água líquida nos planetas mais externos (incluindo a Zona Habitável) é bem grande. 



Fonte: http://earthsky.org/space/first-hints-of-water-on-trappist-1-planets