Sistema binário é formado por Anã-Branca e Anã-Marrom


     Dentre todas as 28.000 estrelas que estão no campo 10 da missão K2 (missão do Telescópio Espacial Kepler que detecta a queda de brilho de uma estrela quando um exoplaneta passa em sua frente - trânsito), uma chamou a atenção de uma equipe de pesquisadores. Trata-se da WD 1202-024 (EPIC 201283111), uma Anã-Branca descoberta em 2006 com 0,4 massas solares e 0,02 raios solares e temperatura de 22.640 K. 


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Imagem SDSS da Anã-branca WD 1202 com magnitude 19 isolada de suas vizinhas. Rappaport et al.


     Ao observarem a curva de luz WD 1202, os astrônomos primeiramente assumiram que se tratava de uma Estrela Variável. Mas ao estudar mais a fundo o que causava essa variação de brilho, ficaram surpresos ao descobrirem que a Anã-Branca possuía uma Anã-Marrom como companheira. Devido a proximidade delas ser de apenas 310.000 quilômetros (quase a distância entre a Terra e a Lua), a Anã-Marrom completa uma órbita a cada 71 minutos. 


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Crédito: space.com


     Anãs-Marrom são corpos celestes muito grandes para serem consideradas planetas, mas não tão grande a ponto de sustentarem a fusão nuclear. Essa Anã-Marrom possui quase o mesmo tamanho de Júpiter, mas com uma massa 67 vezes maior que o Planeta. Como possui um brilho muito fraco, a Anã-Marrom (apesar de ser quatro vezes maior que anã-branca) só é detectável graças a presença da anã-branca, muito mais brilhante que sua companheira. 

     A força gravitacional da anã-branca é tão forte que está lentamente atraindo a anã-marrom para uma órbita cada vez mais próxima, assim espera-se que em 250 milhões de anos a aproximação seja tamanha que a anã-marrom terá toda a sua matéria "arrancada" pela anã-branca, posteriormente acabando como uma Supernova do tipo 1a.

Rappaport et al. WD 1202-024: The Shortest-Period Pre-Cataclysmic Variable, 2017.


Artigo original: https://arxiv.org/pdf/1705.05863.pdf